Desenvolvimento.
Tendo em vista a proposta da interdisciplina em desenvolver um projeto de aprendizagem, busquei reflexões na leitura de Fernando- Hernandes- Transgressão e mudanças na educação, disponibilizado no moodle, o referido texto apresenta inúmeras questões de que é necessário oportunizar aos alunos momento em que eles enquanto indivíduos dotados de potencialidades possam pensar por si mesmos, nem que para isso o educador tenha que transgredir, muitas vezes, algumas normas tidas como convencionais.
Fui buscar essas reflexões para ter certeza de que um projeto de aprendizagem é uma metodologia que vai ao encontro de atender a essa necessidade de formar seres pensantes, reflexivos. Temos que ter ciência deste contexto, a sociedade grita por transformação e é dentro da nossa sala de aula que será possível que tal fato comece a acontecer.
Para o desenvolvimento dessa atividade, irei trabalhar com minha turma de quinto ano, são alunos entre nove e treze anos, matriculados na rede pública de ensino municipal de Cidreira, na escola Marcílio Dias.
Essa turma é bem grande, possui trinta e três alunos matriculados sendo trinta frequentes, é uma turma bem questionadora e reflexiva, por que será? Talvez pelo fato de ser o quarto ano seguido com a mesma professora, no caso eu. Porém este ano temos um agravante que tem sido bem difícil de lidar, um aluno com muitas dificuldades, mas não só de aprendizagem, como também de relação, socialização, comportamento, conduta... Confesso que foi um grande desafio desenvolver uma atividade desta amplitude com este aluno, mas não foi impossível, posso afirmar que foi desgastante.
Para dar sequencia no projeto foi bem complicado, como relatei em outra postagem, o tempo neste trimestre não tem facilitado o desenvolvimento do projeto, então para poder dar continuidade na proposta, interferi um pouco na metodologia e encaixei o projeto de aprendizagem dentro de um projeto de ensino, assim facilitaria o cronograma que tenho que cumprir na escola e também conseguiria aplicar o projeto de aprendizagem com a turma, pois devido aos obstáculos enfrentados o tempo para desenvolver essa atividade ficou cada vez mais curto.
Sendo assim o tema desencadeador do projeto ficou sendo as regiões brasileiras. Determinada essa etapa, dividi a turma em grupos, onde deveriam conversar alguns minutos e montar suas questões de investigação para depois lançar no grande grupo e escolher por votação a questão principal para investigação.
Foi ai que a proposta se desestruturou, o aluno mencionado no início do texto, não conseguiu interagir com seu grupo, ele não desenvolve a capacidade de interação, tudo tem que ser como ele quer, enquanto o grupo socializava ele teve um surto, o que é normal quase que diariamente, e agrediu fisicamente com um soco um dos colegas que estava tentando lhe explicar a metodologia. Com isso a aula acabou pois tive que atender o aluno, tomar providências sobre o acontecimento.
Bom frente ao exposto, em outra oportunidade, tive que interferir um pouco na atividade, não posso simplesmente descartar esse aluno, mas ainda estou me adaptando e buscando meios para conseguir mudar essa situação. Então continuamos nos grupos da outra aula, porém agora podiam lançar várias perguntas e não uma por grupo, com isso contemplaria a opinião do aluno, os auxiliei e formamos várias questões que os grupos deveriam escolher entre elas uma para investigar. Anterior a decisão da questão investigadora, cada grupo escolheu uma determinada região para trabalhar, gerando nessa etapa mais conflitos ainda, por causa do mesmo aluno, mas no final deu tudo certo. Decidiram ter por questão investigadora: Como é a região...Neste ponto de partida em grande grupo levantamos os pontos que já sabíamos a respeito, sendo nossa certezas provisórias como alguns estados que compõem as regiões, os nomes dessas regiões e alguns aspectos culturais como comida, vestimentas, festas das regiões. e elencamos também as dúvidas, o que ainda gostariam de saber e aprender sobre o assunto, sendo as nossas dúvidas temporárias como a população de cada região, a hidrografia, o relevo, atividades comerciais predominante, influências culturais específicas.
Prosseguindo, expliquei que cada grupo teria que investigar tudo aquilo que eles tivessem interesse ao ponto de responderem a questão que escolheram como investigação, também expressei que não iria interferir na pesquisa, cada grupo ia desenvolvendo o trabalho conforme a curiosidade de cada componente em satisfazer a curiosidade.
Eles ficaram bem motivados, mesmo após alguns contratempos, sei que irão desenvolver um bom trabalho, pois como disse no geral a turma gosta de desafios e novas aprendizagens.
Sei que a proposta do projeto de aprendizagem não foi bem essa, mas para o período em que se encontra a turma no ano letivo, ficou difícil desenvolver a atividade de outra forma. Acredito que o objetivo principal será desenvolvido mas não com a mesma metodologia de um projeto de aprendizagem.
O importante, foi que pude levar para a sala de aula uma metodologia transgressora, estou tentando aos poucos, conforme o possível, mudar a forma como a educação acontece, desafio a todos nós educadores a tomar essa iniciativa, mesmo que os desafios encontrados no percurso tentem impulsionar o contrário, mas acredito que mesmo assim vale a pena. Eu não desisti, não desista você também. Insista.
Referência: Transgressão e mudança na educação. Fernando-Hernandes