quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Maquinaria escolar e a infância.

Desde sempre existe uma divisão de classes, e no caso da leitura realizada “ a máquina escolar”, isso ficou mais claro ainda, pois nela  já aborda desde os séculos passados essa divisão entre a infância de elite e as classes populares. Essa temática ficou para nós bem evidente.
            Para a construção da escola que temos hoje, fez-se necessário a contribuição de muitos fatores que foram desde o século XVI muito importantes para o processo de institucionalização da mesma, como exemplo cito a criação de um estatuto de infância, que até então nem era propriamente definida neste período, surgiu assim a necessidade de um espaço físico para atender ao ato de educar um numero “X” de crianças e adolescentes,  o aparecimento de especialistas em educação para lidar com a clientela que faria parte deste ambiente, houve modificações e fissuras nos métodos educativos vigentes na época e por fim as leis que vieram a institucionalizar tais ambientes educativos, nascendo assim a escola como sendo um ambiente destinado ao ato educacional.
            Partindo dessa premissa, após realizar a leitura do texto, percebi que neste período relatado, a criança era tida como um adulto em miniatura, ou seja, tudo nela parecia ser uma caricatura de um adulto, suas vestimentas, seu modo de agir e interagir na sociedade era um reflexo dos adultos a sua volta. Somente um século depois é que os meninos dessa época passam a vestir-se como tais e começam a freqüentar os ambientes destinados à educação, mas esse privilégio não é para todos, somente os meninos de classe superior é que tem direito ao estudo, os de classe inferior continuarão adultizados e só receberão tais benefícios em meados do século XIX e serão instruídos por instituições religiosas, neste caso jesuística, com isso percebe-se uma grande influência crista neste processo de construção da aprendizagem.
            Conforme fui lendo, vi que a criança não tinha outra escolha, tudo era impostamente rígido, e assim foi por muito tempo, por ser criança não tinham poder de escolha, muito menos de decisão, e com isso eram humilhados e por vezes explorados como trabalhadores, era comum ver nessa época o abuso no trabalho infantil nas classes pobres.
            Segundo as citações de Ariés, ele aborda no texto a figura do bebê como um objeto de diversão, posso assim dizer, para as classes altas. Não tendo muita importância para os mesmo.
            Hoje a realidade é dura, para muitas famílias eles continuam sem importância nenhuma, mas para outros sim. É comum os bebês ingressarem muito cedo nas escolas de educação infantil, devido a vários fatores, com isso a função da escola mudou.
            Anteriormente o foco dessas instituições era apenas o de mantenedoras, ou seja, cuidar do bebê ou criança enquanto a mãe ou família precisava ausentar-se, hoje essa situação é bem mais complexa, percebe-se que a criança é dependente do adulto, que precisa de um suporte familiar, com isso a função da escola passa a ter outras finalidades e maiores responsabilidades.
            A partir desse contexto, não há como promover educação sem que a instituição esteja ligada ao contexto social de cada aluno, pois infância é ao meu entendimento, uma etapa cheia de significados que deve ser observada e entendida para que não se perca nada do contexto da criança. Digo isso pois dentro de uma sala é possível observar varias realidades, totalmente distintas uma das outras, e digo, isso é muito bom, porem trabalhoso ao educador que esta na frente desse trabalho, pois devemos saber lidar com todas as possibilidades, intermediando e fazendo um balanço entre tudo para proporcionar às crianças sempre o melhor, tentando suprir o que falta, tentando amenizar os excessos, incentivando sempre uma integração entre a escola e o meio social para que a aprendizagem seja significativa e prazerosa.
            Os professores devem estar em constante formação no intuito de tentar suprir as necessidades de seus alunos, de se adequar a realidade que enfrentam nas salas de aula, pois muitas vezes se deparam com crianças totalmente desprovidadas de amor, carinho, atenção, ou então o oposto. Cabe a cada professor saber oportunizar a cada aluno desenvolver essas dificuldades de forma integradora atingindo a cada aluno no que é preciso.
            Por essas questões citadas e por muitas outras de grande importância, é que nas escolas a infância é muito valorizada, pois são pequenos seres em processo de formação, tão incapazes e indefesos na busca de um reconhecimento, de um significado, na busca de uma futura participação mais efetiva na sociedade. Com base nisso temos o ECA que apóia e embasa teoricamente esse reconhecimento da infância, como um individuo dotado de capacidades e também de direitos.


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